Captação de energia solar cresce 300% em ano de crise

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Captação de energia solar cresce 300% em ano de crise

Fonte: extra.globo.com/noticias em 20/11/17

Em tempos de crise, produzir a própria energia está se tornando um bom negócio. Desde 2013, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regulamentou as regras da microgeração distribuída de energia, o segmento nunca cresceu tanto como no último ano. No segundo semestre de 2016, o país registrava cerca de quatro mil instalações desse tipo em casas e prédios. Hoje, são cerca de 15 mil, um aumento de 300%.

No Rio, o boom se refletiu também na quantidade de empresas especializadas na instalação de placas solares. Há dois anos, eram menos de dez no mercado carioca. Hoje, são mais de 30. Gerente de um resort para cães, o técnico em eletrotécnica Marcos Ramalho Nogueira, de 32 anos, entrou há dois anos para o ramo.

— Com essa expansão do mercado, muita gente mudou de área de atuação para atender à nova demanda — diz Marcos, integrador da Blue Sol Energia Solar, que enumera as vantagens: — Embora o custo de instalação ainda seja caro, existem bancos que fazem financiamento com linhas próprias. A redução na conta de luz é enorme, e o equipamento se paga em, no máximo, oito anos. Isso sem mencionar a questão da sustentabilidade, por ser uma energia limpa.

No fim do mês, a economia pode chegar a até 95%, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar). A conta só não pode ser zerada porque o consumidor precisa pagar a taxa de disponibilidade da concessionária, para os momentos em que o gerador não capta luz solar.

— Quando vi a quantidade de sol que batia na minha casa, resolvi investir nas placas. Minha conta chegava a R$ 800 e, hoje, não passa de R$ 100 — diz o ator Felipe Martins, morador de Teresópolis.

Mapa de potencial dos telhados do Rio

O primeiro passo para instalar um sistema de captação de energia solar em casa é verificar a incidência de sol no local onde o equipamento será afixado. Depois, a partir da média do consumo energético, é possível dimensionar quantas placas serão necessárias para a residência. Todo esse cálculo é facilitado pelo Mapa Solar, que pode ser acessado no novo Armazém de Dados da prefeitura (www.data.rio).

No site, é possível simular um sistema de energia solar inserindo os dados de sua residência ou prédio. Para fazer a instalação, entretanto, é necessário contatar uma empresa especializada.

De acordo com projeção da Absolar, a geração de energia solar fotovoltaica no Brasil deve alcançar o patamar de 1.000 megawatts (MW) de capacidade instalada até o fim do ano, um crescimento de 325% em relação à capacidade atual de 235 MW, suficiente para abastecer cerca de 60 mil residências com até cinco pessoas em cada uma.

A estimativa feita pelo setor coloca o país entre os 30 principais geradores dessa fonte de energia no mundo, com a expectativa de estar entre os cinco primeiros até 2030 em potência instalada anual. Atualmente, estão contratados, por meio de leilões de energia, cerca de 3.300 MW, que serão entregues até 2018.

Os investimentos até o fim de 2017 deverão somar R$ 4,5 bilhões. O crescimento da capacidade instalada favorece ainda a geração de empregos em toda a cadeia produtiva. Pelos cálculos do setor, para cada MW de energia solar fotovoltaica instalados, são gerados de 25 a 30 postos de trabalho.

Algumas novidades do setor

Painel transparente: Um estudo da Universidade de Michigan desenvolveu um painel solar completamente transparente. O material pode ser usado em janelas, por exemplo, convertendo a luz em energia, mas sem impedir sua passagem.

Energia da chuva: Na China, pesquisadores criaram um painel que resolve o problema da captação de energia solar em períodos chuvosos e, além disso, gera energia a partir do impacto das gotas de chuva. O material usado é o grafeno.

Telhas solares: Na Itália, a superfície de captação foi adaptada para telhas comuns, tornando a tecnologia mais adaptável.

Turbina eólica solar: Um sistema desenvolvido em Londres aproveita duas fontes energéticas de uma só vez. Trata-se de uma turbina eólica equipada com placas solares. Enquanto gira, com o vento, também capta a luz do sol.

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Bandeira Vermelha: brasileiros pagaram R$ 6 bilhões a mais na conta de luz em 2015

Há algum tempo, a cada conta de luz que chega em nossas casas, vemos seu valor subir e subir, sem parar. Até tentamos apagar uma luz aqui, desligar um aparelho ali, mas a conta teima em ficar mais cara. Quase R$ 6 bilhões foram desembolsados pelas residências brasileiras durante 2015 só para pagar a bandeira tarifária – que desde que começou a valer, em janeiro, nunca saiu do vermelho.

Pelas cores verde, amarelo e vermelho, a bandeira tarifária indica a cada mês a situação da geração de eletricidade no país. Quando muitas usinas térmicas, movidas a combustíveis poluentes, como o diesel e o óleo combustível, são acionadas, o custo para gerar eletricidade é mais alto. A bandeira, então, fica vermelha e esse custo é repassado aos consumidores.

Mais de 60 milhões de residências estão incluídas nesse sistema. Há também comércios, indústrias e outros consumidores que fazem parte das bandeiras. Por isso, o valor destinado à conta das bandeiras tarifárias ultrapassa os R$ 6 bilhões que saem das nossas casas.

O valor da bandeira vermelha mudou ao longo do ano e atualmente custa R$ 0,045 por cada kWh consumidos. Parece pouco, mas significa que cada residência pagou em média R$ 7,33 a mais por mês na sua conta de luz. Ao ano, são R$ 88. Isso, sem considerar a tarifa de energia, que também aumentou, e os impostos incluídos na conta.

Ao longo de 2015, a tarifa residencial de energia no Brasil subiu em média 30%. Se voltarmos a maio de 2013, quando a conta começou a subir, veremos um aumento de 63%. “Em algumas cidades, como São Paulo e Porto Alegre, a tarifa chegou a dobrar”, comenta Larissa Rodrigues da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

O que a bandeira tarifária representa no seu bolso
Hoje, o brasileiro paga em média R$ 7,33 a mais na conta de luz só por conta da bandeira vermelha. Em um ano, terá gasto R$ 88. Com esse dinheiro você poderia ter se alimentado de um desses itens:

172 pães franceses
28 litros de leite
32,5 quilos de arroz
19 quilos de feijão
24 quilos de banana
27 quilos de batata

Os R$ 6 bilhões gastos em todo o país, em 2015, poderiam comprar 15 milhões de cestas básicas

(Dados do Dieese e valores de referêcia de São Paulo, que tem uma das cestas básicas mais caras do Brasil)

Além de tornar nossa conta de luz mais cara, o acionamento das termelétricas, causou nos últimos três anos um aumento de 25% nas emissões de gases de efeito estufa (CO2) associadas à geração de eletricidade.

Tudo isso é o resultado de um modelo baseado na geração de eletricidade por hidrelétricas e usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis. Hoje, quando falta água e as hidrelétricas falham em entregar energia, pagamos a (alta) conta e as emissões de CO2 aumentam. É mais do que necessário, portanto, que tenhamos uma matriz energética diversificada, contando com a energia do sol e dos ventos – hoje já competitivas no mercado e que precisam de incentivos do governo para crescer mais rápido.

Quer saber de onde está vindo sua energia agora? Acesse o Monitor Elétrico aqui, que mostra todos os dias como é gerada a eletricidade no Brasil.

Está ruim, e vai piorar

Já não bastasse a bandeira constantemente vermelha e as tarifas que sobem sem parar, outros aumentos na conta de luz estão por vir. Na última semana, o Senado aprovou a Medida Provisória 688, que, entre outros pontos, permite que seja repassado ao consumidor os custos extras que são gerados quando as hidrelétricas não conseguem entregar toda a energia que se comprometeram. Isso está previsto nos contratos das empresas de energia.

“Para o consumidor os aumentos estão vindo de todos os lados. Pagamos a mais pela bandeira tarifária, pagamos a mais pela tarifa que não para de subir e vamos pagar pela seca que afeta as hidrelétricas” afirma Larissa. A MP 688 foi aprovada pelo Senado na noite do dia 24 de novembro e no momento aguarda sanção presidencial.

Participação Chinesa no Setor Elétrico

A aprovação da MP 688 pelo Senado deu sustentação legal para que o governo realizasse um leilão para 29 usinas hidrelétricas que estavam com seus contratos de concessões vencidos (saiba mais sobre essa história aqui). A aprovação foi uma forma de autorização para que o governo cobrasse um valor pela outorga dos novos contratos. Sem ela, o leilão teria que ser remarcado. Assim, o governo levou R$ 17 bilhões das empresas que arremataram as hidrelétricas. Desse valor, R$ 13 bilhões virão apenas da empresa chinesa Three Gorges.

As 29 usinas hidrelétricas contratadas no leilão somam 6.061 MW de potência instalada. A Three Gorges agora tem uma concessão de 30 anos para as hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá, que eram de controle da CESP e somam 4.995 MW de potência instalada.

Fonte: http://www.greenpeace.org/brasil


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